Clevane Pessoa Imprimir E-mail
Escrito por Clevane Pessoa de aAraújo Lopes   
Gliter

Pirilampos
Amontoam-se no lago
Onde as águas móveis
Transmutam em milhares
de points brilhantes,
A luz do luar...

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Ossos


Ossos amontoados
No campo de concentração
Gritando
Que um dia tiveram vida,
Rondados pelos espíritos perplexos
Tentando separá-los dos outros à sua imagem
Sem semelhança
Pois a carne, o retrato,
Apodrecida, carcomeu-se
Ou foi calcinada em fogos/ fornos...

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A força do amor



Olhos de seda entrelaçando fios
nos olhos de minha alma rota
pelos desgastes dos sonhos
intangíveis e desfeitos:
tramas puídas sem possibilidades
aparentes de remendos ,
esgarçadas pela voracidade
de traças impiedosas...


Mas, fiandeiras de magias
as meninas de teus olhos
pacientemente são artesãs
da reesperança e recuperam
com luzes invisíveis
e canções inaudíveis,
minhas crenças no amanhã...

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Dos Processos Criativos

Formas se formam no espaço da mente.
Semente a semente,
túmidas, descem do imaginário.
Brotam surpresas e reinvenções
do mundo, tão antigo
desde que aqui chegaram.

De vez em quando, abrem invisíveis asas,
para proteger a idéia
do sol ofuscante
de sua criatividade.

De vez em quando, sussurram
e comandam essas mesmas asas
os levem para longe, para o alto,
em busca de silêncio absoluto.

Recolhidos hibernam,
em suas próprias casas mentais,
passam por muitos partos
e renovação.

Depois, sacodem as penas de plumas
e retornam, grávidos
de intenções.

E então, criam,
nova/mente.



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CONSUMIDORES DO MEDO 

Clevane Pessoa de Araújo Lopes 

 

O olho que vê é o olho que teme.

O que não vê,

 dilata-se pelo imaginário

condicionado ao sabido.

Uma voz que pergunta as horas,

causa sobressalto.

Passadas na calçada

aceleram o coração cansado

de sustosdesustosdesustos

sustosustosustosustosustos...

Assustadas,as pessoas, timoratas,

parecem potros que trotam

em direção a cousa alguma.

Pressa de fuga,para nenhum lugar.

Necessidade de abrigo,

não importa a idade que se tenha,

o que importa é o perigo oculto

e o perigo desvendado

no útero inchado da cidade.

Os homens de Deus,temem

os homens do Mal,

escondem-se atrás

de grades e muros,

prisioneiros em seus lares. ..

 

Belo Horizonte, 04/04/2007