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Escrito por Elizangela Patrocínio
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ZELO
Viajo no templo noturno Como a única luminosidade São dos meus fadados olhos Que ilumino os meus caminhos
Não posso ser escuridão Não posso ser o meu próprio desvio
Almejo apenas regular a chama Que me ensandece... Para que eu não me transforme Tão cedo, cega...em cinzas...
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VIA LÁCTEA
Sou um planeta inteiro Que atrai tua atenção Mas que repele por pejo O abismo da solidão.
Sou a Via Láctea do teu desejo Sugando como Eros O leite materno da tua razão
Assim, aprimoro o sabor do teu cheiro No meu paladar és o primeiro A colorir a órbita insípida Da escuridão.
Sou a forma salivada Que do céu de tua boca molhada Rega a força ondular De tua constelação
Materializo-me em Titã Para extasiar-me em teus beijos Saciando de tatos teus beijos De miríades cortesãs.
Movimentando teu ribeiro A germinar o mundo inteiro Na turbulência dos meus seios Do dedo molhado na maçã.
Nestas ondulações de corpos celestes Atraídos por forças imponentes Vulcão e lavas são agentes Em atividades de explosão.
Assim é o nosso sexo O nosso fulgor de cada instante Nossa rima de hemisférios Nos corpos de dois amantes.
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BIG BANG
Embarquei em premissas Que me levaram ao infinito Atomizada pelo destino Agora sou fragmentos O que resta é o ocaso...
E neste “acaso”... Que forças sejam atraídas Névoas celestes imponentes A gerar nova vida...
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CADÊNCIA
Assim são os desencontros... Como os astros Num somente encontro... Agita-se o mundo Num eclipse de vozes A contemplar a escuridão.
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DILUIÇÃO
Perdi-me Não mais me encontro...
São tantas "Clarices" Vários "Álvares" Que meus gestos são "Quintanas"... Sou várias identidades.
Esvai-me em diversos conceitos Que não me cabe acertos Dos infinitos parênteses Da diluída personalidade
Não quero negativas Mas, perco-me nas falas... Tantas são as entidades...
Na intensidade das palavras Encontro-me no oásis Do deserto de mim mesma Esgotei-me na pluralidade...
Acredito ser uma "Pessoa" Na sua feminilidade.
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DOCE AGONIA
Hei, dá-me a tu mão Percebe o meu tremor e a vontade De concluir os meus passos Conduze-me por um caminho de veredas coloridas Onde por alegria eu possa Sorrir aos cantos dos pássaros
Olha nos meus olhos enternecidos A circunscreverem as nuanças do teu corpo delgado Perscrutando a tua alma e os sentidos Na ventura de encontrar-me no sabor dos teus lábios
Dize-me palavras nunca antes proferidas Por deuses ou neófitos Mas que me conduzam a horizontes Nunca antes explorados Sacia-me, para que de mim te tornes insaciável Induze-me a esta dependência De que sem mim, tu te tornes vulnerável Sendo deuses dos nossos holocaustos Minando a todos os desdéns dos filhos do mundo
Ensina-me a encontrar minha inteligência Liberta-me do ostracismo da minha ignorância E a raiz do que nos setenta Seja alimentada pela razão da esperança
Sê tu, minha queda e minha glória... Sê...as forças antagônicas de minha agonia Presta-me o serviço mais completo Sem maniqueísmos... Sê tu na tua perfeição deificada Ou, imperfeita harmonia...
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