| Lilian Maial |
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Bodas de Prata ®Lílian Maial por dentro do vulcão a lava serena corre e escorre incandescênciacalcina em prata pranteia as ruas o que já foi cor dentro da cratera adormecem planoss onhos feito brasas e uma erupção à espera nos cabelos, a prata da casa olhares e toques,requinte requentado a boca da cratera é um anelum nome gravado a fogo na prata de uns olhos úmidos o mármore entalhado se esfarelae aguarda o ouro *****
Lunar Lá fora, a lua sabe a altura dos meus sonhos, E, em seu semblante, guarda a luz do meu amor. Quem sabe, um dia, não verei, desse langor, A poesia a iluminar olhos tristonhos. Dependurada, esbelta e livre, está sozinha, Tão solitária, que, de dó, chorei por ela. Foi num lamento que me entrou pela janela, De compaixão, acalentei a pobrezinha. Por que será que todo mês a reconheço, Nesse vestido, todo em rendas traiçoeiras, Como uma noiva prometida sem altar? Será que eu mesma não paguei tão alto preço, De te esperar, vestida assim, a vida inteira, Como essa lua, condenada a não amar?
E AINDA PERCO TEMPO COM POEMAS... Lílian Maial Mastigo a boca seca - resquícios de pele, e sangro a luz do dia com cinzas e respingos. Há uma lentidão no recitar das ruas, os carros e pessoas parecem não ter pressa. Ah! Se eles soubessem da urgência dos dias, se sofressem os presságios dos poetas... Bobagem! Poetas são patéticos pensadores de coisa nenhuma! São chatos e pretensos entendidos de canções. No entanto, a chuva cai impunemente sobre os telhados sujos, escorrendo lodo e a solidão de pássaros sem graça, que não cantam, nem fazem ninho. Poetas sabem tudo sobre amor em versos, encantam os tolos com suas rimas ricas, mas só enfeitam de tristeza as sombras nas paredes. Na vida, o verde queima e a chuva traz enchentes, o mar afoga sonhos e estrelas dão insônia, e a poesia uiva, no vazio, incomodando os vizinhos vesgos e felizes. ********** CONTANDO ESTRELAS®Lílian Maial Talvez encontre um brilho diferenteNa noite: um cometa de relance. Quem sabe não seria a minha chance Seguir com esse rastro permanente? Um flerte co'ma estrela, assim, cadente, De rosas e fragrâncias conhecidas,Seria um beija-flor em margaridas, Colhendo, da paixão, sua semente. Escura madrugada, enfim, luzia Febris, a iluminar a claridade, Dois sóis, de negro brilho em tons exóticos. Bem-vindos, que meu peito já ardia, Pulsando oculta e vã ingenuidade, De confundir estrelas com teus olhos. Rio, 13 de janeiro de 2002. *********
NEGRUME
Lílian Maial Teus olhos – duas pérolas-sementes,Tão negros, que a graúna empalidece,São luas, a sorrirem de contentes,São lagos, de represa que anoitece. De dia, qual farol de um mar latente,Que acende, ilumina e entontece,De noite, doce archote incandescente,Ardendo o meu querer, que tanto cresce. Por dentro desses olhos de promessa,Nos cílios, equilibram-se vontades,Desejos que, eu, poeta, decifrei. No mar de escuridão, velas dispersas,Meus olhos, procurando outras metades,Soçobram, nau dos teus, onde ancorei. ***********
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