Isar Maria da Silveira Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   

Alfabeto

Na folha em branco

entre linhas retas,

letras tortas,

palavras desconexas,

verbos desconjugados,

tento escrever-te

 

Como se possível fosse,

procuro com o abecedário,

em um texto exato, métrico,

montar o teu traçado... quase geométrico

 

Aprisionar-te ali é o meu desejo

como se o alfabeto contivesse

teu hálito, tua voz, teu jeito,

o cheiro de tua pele e o calor do teu abraço...

 

Ah! Minha imaginação! Essa desvairada...

És maior que qualquer palavra.

Não cabes em nenhum verbo.

Como engaiolar-te no jogo das letras?

 

Pés e Amor


Corpos em desalinho
de amor desassombrados,
pois que na sofreguidão
do desejo consumado,
calaram-se gemidos e gestos

Desgarrados os encantamentos.
Vencida a ânsia
no rito de beber
a insensatez do momento.
No altar do prazer
oração realizada...

Sem o compromisso de ofício,
persistentes,
impunemente aliciadores,
cúmplices imprudentes
acasalam-se nossos pés...