| Poemas de Fernanda Guimarães |
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| Escrito por Fernanda Guimarães | |
| Dom, 29 de Junho de 2008 13:16 | |
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© Fernanda Guimarães
À deriva Há uma porta que eu poderia abrir Talvez assim meus passos levassem O silêncio que tanto me revelaE eu me despiria dos excessos Dos gestos que ardem as mãos Cansa-me esta leitura hipotética Que insistem em fazer de mim Como se essa suposta serenidade Fosse prêmio e não tortura Desconhecem em mim, os clamores O açoite da renitente procura O peso da invisível mordaça O fugir dos olhares a caminho algum... © Fernanda Guimarães
Sonhando-me em teu Olhar Debruça-se o teu olhar Acalentando saudades Nesta noite em que te abraças Ao reflexo da tua solidão Abriga-te a incerteza De poder ver-te em meus olhos Voltas-te ao céu repetidas vezes Passos dispersados ao vento Mãos descrentes e súplices Supondo-me ausente Pairas entre lembranças Enquanto todas as estrelas Despem-te da penumbra do teu rosto Talvez busques a razão nítida de tudo Quando me abres a porta do sonho E todos os teus gestos confessam A tua espera e este amor Que me pronunciam em teu corpo Reclamando-te a minha posse À tua volta, o mar azul bramindo Sobre as vagas, o teu pensamento E a aparente recusa do meu tempo Que pensas não te pertencer Não há longe, onde me imaginas Se é em teu peito que repouso É nele onde me deito Lânguida e esquecida de mim É teu coração que alicia meus silêncios Deixando pulsar em ti A caligrafia dos meus segredos e sonhos © Fernanda Guimarães
O Ninho do Poeta
Anuncias-te em meio ao rugir do mar Espalhando as cores dos teus olhos Pela imensidão da natureza que te abraça Em tuas pálpebras, o tempo não tem pressa Espreguiça-se na rede dos sonhos Ninado pelos lençóis do infinito Entrelaças o silêncio das tuas mãos À espuma das ondas que te acaricia É o vento, tua concha de sorrisos e lágrimas Boca dos teus sopros e rumores. Contemplas auroras e poentes Tão íntima que és dos astros e do céu. Ofereces colo para a inspiração do poeta, Quando te beijam os primeiros raios de sol Acordas letras e versos irisados E do alto do penhasco, faz-te porto Embalando a vida, em idas e vindas Estrelas brincam de tocar tua face Buscas ouvi-las, como já disse Bilac E tonta de tanta luz, abandonas-te Levantas o dossel e te enfeitas de brilho Sabes dos sons e sussurros das águas Tens a fragrância dos amores que se fizeram. Conheces os passos da ternura e da entrega, Quando tantas vezes criaste um cenário E viste mãos a se despirem da solidão! Se uma lua desvairada em ti se debruça Seduzes toda e qualquer palavra Fulva de encantamento, desnudas-te E de veias abertas, sussurrando para o mar Pedes a saudade, para que o poeta volte...
Meu Tempo Que É Teu
A brisa da tua lembrança Acaricia os meus olhares Não são os olhos do passado Nem uma indecisa nostalgia Que te guardam e sabem de ti É no agora que te desconhece E que ignora o som da tua voz Ou o teu sorriso em meus lábios Que sempre estás e permaneces Nem a solitude, nem as mãos vazias Tampouco o cansaço do tempo Ou a lucidez e precisão dos relógios Consumindo todos os minutos Que não sabem da minha espera Levam-te do brilho dos meus olhos Ignoto tempo que corre para a eternidade Desconhecendo que é em meu coração Que ela habita desde o dia Em que acordaste em meus olhos...
Momento Íntimo Não me peças a palavra exata Vivo para além de todas as letras Pudesses adivinhar os gestos Quando entre um verso e outro Suspira o olhar em eterna busca Não me falarias em certezas Perscruta-me sempre o indizível Precipício sorrateiro e invisível Onde as mãos lançam-se vazias Ávidas por mim mesma Mãos alheias, vezes suaves Estendidas a recolher As preces que eu não disse Mãos que me aprisionam Em muros farpados Arranhando-me a pele dos sentidos Mãos que me afagam E acolhem sem perguntas Os lamentos que não senti É apenas meu este silêncio Esse confessar íntimo de palavras Quando desgarradas de mim As mãos sussurram meus gritos inaudíveis E entrelaçam meus dedos e voz Conjugando os meus sons Ecos desafinados do meu desconhecer Esses que como cordas tensas Perambulam notas graves Buscando o tom que mais revele Esta dissonante incompreensão Impalpabilidade de mim por mim mesma Neste momento em que sou apenas só E minhas mãos são as pedras Da minha própria vidraça Estilhaçando as lágrimas Que meus olhos não puderam chorar
Imprevisível É para ti Que a quietude se dá Oferecendo guarida aos teus lábios E ainda assim é em ti
Que meu silêncio se arrepia
É em mim Que as palavras transbordam Sabem que não me contenho Nada entendo de moderação Sou assim, sem atalhos Não me cabem os adiamentos Só se me sei em reboliço Os passos a andarem em ebulição O gosto da descoberta a me invadir O imponderável a me vestir os olhos Talvez me quisesses mais previsível Quando te abrisse minhas portas E meus olhares já te falassem de saudades A pele exalasse tua fragrância preferida Ou guardasse ainda o ardor dos teus carinhos Talvez me desejasses menos fugaz Murmurando as juras próprias dos amantes É que em mimO vento folheia-me sem permissão Abre-me em qualquer capítulo Estreando enredos em minhas mãos Tomando-me de súbito, sem ensaios Quando leio as páginas do teu corpo E não me perguntas de auroras Porque pouco conheço de eternidades... |
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| Última atualização ( Sex, 05 de Setembro de 2008 13:58 ) |



