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Poemas - Maria Esther Torinho - Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. Segredos Ao ouvido, segredo-tepalavras feitas de seda; do pólen das flores retiro o mel com que te cubro mas tudo se esvaiem poeira. És sonho apenas e eu amargo dilemas: no sempiterno degredo sou flor apagada sem brilho sem nada sem eira nem beira.
Um raio de lua um raio de luaa abrincar na menina dos olhos a perscrutar o mais fundo de mim: o lábio entreabertoà procura do beijo e apagando uma sombra de dúvida a gloriosa dádiva do indeludível sim.
Buscas Para a vida somos gerados. No entanto, saltamos do sono da bolsa e somos despertospara o pesadelo; daí para a frente, estamos, sempre, da vida, longe e perto; buscando o átomo, o inexato seguimos nesse deserto fazendo pactos os mais diversos pisando delicados ovos e colhendo cactos.
Abismo Tamanho é o abismo que cavas em mim com teus olhoscastanhos Tamanho é meu cisma é meu fossot amanho entre nós é o faço e depois o cansaço clave de sol a dar vida e a clarear o meu passo a dar rumo ao meu descompasso com tal força e sanha que eu mesma no fundo me estranho.
Apenas uma flor Apenas uma flor flor: guardada no tempo breve de alguns poucos dias cicatriz do espinho fincado no centro da pétala ideal feito em sonho e poesia, desfaz-se ao contato do frio vento e se funde à poeira e à treva: ternura desfeita em névoa és tu, só tu, puro amor.
na roda-viva na roda-viva nem sempre digo doces frases e amiúde solto imprompérios; às vezes levo a vida angustiada mas quando posso me derramo em brincadeiras; nem sempre vivo entre o ser e nada nem sempre a vidame leva a sério; e o tempo roda a roda-gigante e desfila tragicomédias de agora e de antes e a vida passa antes nossos olhos desfiando seus mistérios.
doce fantasma fantasma que habitas meu sonho me beijas, seduzes e me enlouqueces nessa trama em que teces meu frêmito e espasmo, meu gozo e cansaço; à meia-noite revelas-me pedaço a pedaço e na madrugada me fazes inteira. |



