Poesia por Maria Esther Torinho PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Dom, 31 de Agosto de 2008 16:23
 rosa
 

    (mid: Hoje - Taiguara) ligue o som

 

convite

Visite este link: http://exposicaovirtualindividual.wordpress.com  São 16 obras de minha autoria, nesta exposição com curadoria de Ana Pirolo, da Galeria Ana Pirolo, de São José dos Campos. Espero que goste e deixe um comentário lá. Obrigada

 Todos os poemas desta seção são da autoria de M. Esther Torinho, estando proibida a reprodução sem autorização expressa da autora.

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 Náufragos da madrugada

 

Náufragos da madrugada

os enamorados cultivam o silêncio

 - metáforas do amor indizível

beirando a loucura

e perfazendo o nada.

Ponte entre a imensidão e o vazio,

mais que encontro dos corpos em  eterno  cio

o  silêncio diz do encanto das  almas:

une futuro, presente e passado

em versos contidos

de amor refinado.

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  Lírio do Vale

  (poema de M. Esther Torinho, inspirado na obra Lírio do Vale, abaixo.

  Lírio do Vale

 

Em meio à exuberância do vale 

um lírio cresce, silente em sua impotência:

versos de beleza e solidão.

 

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 Troços e traços   

   Querem saber o que faço.

   Responder o quê

   se nem eu sei meu verdadeiro traço?

   Tenho faces várias:

  sou vida e mortalha

  sou boneca de louça

  e também rebotalho;

  na briga, não há quem me cale

  sou verbo afiado

  mas também ato falho

  sou linho e sou renda

  sou chita mas também sou seda

  sou real e também sou lenda

  nas mãos desta vida

  que me quer contenda.

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 A palavra amor

Já sem muito sentido

sozinha e algo vazia, 

a palavra amor refugia-se

nas entrelinhas do dicionário:

poemas de muito silêncio

versos de pura poesia.

 

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 Finados

(em memória de minha mãe) 

 

No campanário

dobram os sinos.

Finados

e essa chuva fina, 

de todos os anos

de sempre;

a chuva são lágrimas não vertidas

são missa de corpo presente.

 

No campanário

os sinos dobram também

em apelo inconsciente

pela luz de uma nova vida

e os anjos dizem: "Amém".

 

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 Caçador de ventos


Caçador de ventos 

E, enquanto o poeta

representa no palco da vida

alguma alegra,

atrás do pano a dor e a tormenta

são fragmentos de vida

em comovente coreografia.

 

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Estátua de sal

 Era sol, era sede, era lava;

 era borboleta, mas ainda assim, era larva.

 Era força, era raça, mas também leveza

 era solto, era livre, mas era também uma presa.

 Inteiro, mas fragmento, vivia instantes de luz

 mesclados a muita treva;

 E assim se perdeu no movimento das águas;

 calou-se, pelo sufoco das mágoas.

 Tanto buscou a verdade

 e tanto tentou distinguir entre o bem e o mal

 que em dado momento,

 virou estátua de pedra e de sal.

  

MEU ÚLTIMO POEMA

 (do livro Pássaro Migrante)

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 Incertezas

Não sei se canto

se rio ou choro,

se minto

se me desconcerto;

sei que não há certezas

sobre mim mesma

ou sobre o universo.

Por isso se me questionam

sobre a poesia

 - se ela inspira ou se transpira -

não sei o que digo:

cada poema é íntimo inimigo;

dorme e acorda comigo

atormenta-me no meio da noite

faz de conta que sou eu mesma

reclama por rimas e versos

mas no fundo é o avesso

do meu inverso.

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 Os meandros da vida

Quero a vida-foice

desmatando as densas florestas de mim

inventando curvas e retas

derrubando muros,

não a vida fácil.

Quero caçar borboletas

em becos escuros;

não à vida fácil.

     

A vida germina onde menos se espera

espalha-se em campos de trigo

espelha-se  em sorrisos de amigo

mas a vida falha, a vida erra

e também se desfolha

nos olhos escuros do adversário

a vida é sempre um ato temerário.

Não há vida fácil:

a vida é foice

 e de repente,

a vida foi-se, a vida era.

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 Crepúsculo

   

    Entre beijos de luz

    e abraços de sombras,

    o sol se desfaz

    e mingua por trás dos morros

    deixando a Terra

    em falta.

    E a lua, mulher atrevida  e peralta,

    rouba os raios do amante

    e vem socorrer a irmã-Terra

    estendendo seus raios

    de doce mistério

    sobre o universo.

    E a Terra se veste de luz

    e se fantasia de versos.

 

 


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