(mid: Hoje - Taiguara) ligue o som
Visite este link: http://exposicaovirtualindividual.wordpress.com São 16 obras de minha autoria, nesta exposição com curadoria de Ana Pirolo, da Galeria Ana Pirolo, de São José dos Campos. Espero que goste e deixe um comentário lá. Obrigada
Todos os poemas desta seção são da autoria de M. Esther Torinho, estando proibida a reprodução sem autorização expressa da autora.
____________________________________________________________________ Náufragos da madrugada
Náufragos da madrugada
os enamorados cultivam o silêncio
- metáforas do amor indizível
beirando a loucura
e perfazendo o nada.
Ponte entre a imensidão e o vazio,
mais que encontro dos corpos em eterno cio
o silêncio diz do encanto das almas:
une futuro, presente e passado
em versos contidos
de amor refinado.
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Lírio do Vale
(poema de M. Esther Torinho, inspirado na obra Lírio do Vale, abaixo.
Lírio do Vale
Em meio à exuberância do vale
um lírio cresce, silente em sua impotência:
versos de beleza e solidão.
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Troços e traços
Querem saber o que faço.
Responder o quê
se nem eu sei meu verdadeiro traço?
Tenho faces várias:
sou vida e mortalha
sou boneca de louça
e também rebotalho;
na briga, não há quem me cale
sou verbo afiado
mas também ato falho
sou linho e sou renda
sou chita mas também sou seda
sou real e também sou lenda
nas mãos desta vida
que me quer contenda.
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A palavra amor
Já sem muito sentido
sozinha e algo vazia,
a palavra amor refugia-se
nas entrelinhas do dicionário:
poemas de muito silêncio
versos de pura poesia.
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Finados
(em memória de minha mãe)
No campanário
dobram os sinos.
Finados
e essa chuva fina,
de todos os anos
de sempre;
a chuva são lágrimas não vertidas
são missa de corpo presente.
No campanário
os sinos dobram também
em apelo inconsciente
pela luz de uma nova vida
e os anjos dizem: "Amém".
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Caçador de ventos
Caçador de ventos
E, enquanto o poeta
representa no palco da vida
alguma alegra,
atrás do pano a dor e a tormenta
são fragmentos de vida
em comovente coreografia.
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Estátua de sal
Era sol, era sede, era lava;
era borboleta, mas ainda assim, era larva.
Era força, era raça, mas também leveza
era solto, era livre, mas era também uma presa.
Inteiro, mas fragmento, vivia instantes de luz
mesclados a muita treva;
E assim se perdeu no movimento das águas;
calou-se, pelo sufoco das mágoas.
Tanto buscou a verdade
e tanto tentou distinguir entre o bem e o mal
que em dado momento,
virou estátua de pedra e de sal.
MEU ÚLTIMO POEMA
(do livro Pássaro Migrante)
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Incertezas
Não sei se canto
se rio ou choro,
se minto
se me desconcerto;
sei que não há certezas
sobre mim mesma
ou sobre o universo.
Por isso se me questionam
sobre a poesia
- se ela inspira ou se transpira -
não sei o que digo:
cada poema é íntimo inimigo;
dorme e acorda comigo
atormenta-me no meio da noite
faz de conta que sou eu mesma
reclama por rimas e versos
mas no fundo é o avesso
do meu inverso.
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Os meandros da vida
Quero a vida-foice
desmatando as densas florestas de mim
inventando curvas e retas
derrubando muros,
não a vida fácil.
Quero caçar borboletas
em becos escuros;
não à vida fácil.
A vida germina onde menos se espera
espalha-se em campos de trigo
espelha-se em sorrisos de amigo
mas a vida falha, a vida erra
e também se desfolha
nos olhos escuros do adversário
a vida é sempre um ato temerário.
Não há vida fácil:
a vida é foice
e de repente,
a vida foi-se, a vida era.
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Crepúsculo
Entre beijos de luz
e abraços de sombras,
o sol se desfaz
e mingua por trás dos morros
deixando a Terra
em falta.
E a lua, mulher atrevida e peralta,
rouba os raios do amante
e vem socorrer a irmã-Terra
estendendo seus raios
de doce mistério
sobre o universo.
E a Terra se veste de luz
e se fantasia de versos.
desde Abril/2011